“ Quando se chega à minha idade, e agora tenho 66 anos, apercebemo-nos de que o mundo é uma casa de doidos e que a maioria das pessoas vivem numa fantasia de uma maneira ou outra. Por isso, assim que uma pessoa se apercebe disso, não é uma coisa que incomoda muito.
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Fico impressionado com como o riso nos liga às pessoas. É quase impossível manter qualquer tipo de distância ou noção de hierarquia social quando estamos simplesmente perdidos de riso. O riso é uma força democrática.
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Quem se ri mais, sabe mais.”
— John Cleese


eu, rindo-me.

mirror, mirror who is the most fucked up?

fui repor a visualização de entretenimento para o modo mais crescidos e escolhi a série Black Mirror. vi a primeira temporada e agora estou com vontade de ver o Gnomeu e Julieta...

os episódios podem ser vistos sem ser em sequência, não há uma narrativa contínua entre eles, apenas no ponto de ligação da perniciosidade do que podem ser as tecnologias. ou melhor, naquilo que os humanos podem fazer com elas. qualquer um dos episódios dava para uma boa longa metragem. embora, assim curtinhos, disparem rapidamente com a merda que conseguimos ser. a tecnologia só vem potenciar e facilitar a coisa. uma merda que não é necessariamente por consequência de malícia por si só. alias, tudo começa com uma certa dose de boas intenções: de querer ajudar, salvar alguém, saber a verdade e como qualquer boa seta filosófica, estilhaça bastante primeiro. depois cada um cola como lhe aprouver.

(eu estou em luta entre a curiosidade de prosseguir para a próxima temporada ou deixar-me estar quieta e fazer uma sesta até esta primeira temporada assentar.)



pela enésima vez as catraias quiserem ver o Big Hero 6. as três bem ajeitadas no sofá com a manta que o tempo pede. não era para eu ter ficado: o portátil ao lado a pesar-me a consciência do trabalho ainda por fazer... azar, que foi preterido.

a cena (quase) final que nos deixa com a lagrimita no canto do olho. curiosamente, mais do que a primeira morte do filme que representa a morte de uma pessoa e não de um robot. suponho que ao longo da narrativa e da construção / envolvência das personagens se vá criando um laço afectivo, o que justificará o maior lamento. o que me leva a crer que esta coisa do afectos é uma estrada sem placas de orientação, com uns quantos buracos e lombas, o que justificará o seu lado pouco racional (e, bastas vezes, pouco razoável).

tenho um afecto ao estilo Baymax - é fofinho, querido, mas de certa forma não real - do qual não me consigo despedir. suponho - não devo estar errada - que pelo receio que o vazio seja ainda maior e se instale de vez. puta que pariu, este não é um filme de entretenimento para crianças?

[fool] stop





é completamente ilógico sentir que grande parte desta semana foi para o caraças por estar doente e pensar que tenho de recuperar o tempo, quando passaram mais de quarenta anos e continuo com a sensação de vazio de uma vida quase deitada fora.

também pode ser ainda efeito da febre e daqui a uns dias entreter os neurónios com qualquer outra merda.

por ora, dou com isto e imagino imediatamente o melhor local: perto da lareira, virada para a janela que tem vista para a serra. já terá nevado? (parece-me que pouco poderá ainda mudar).




wtf friday























[que ninguém me ouça - eu que vocifero que este dia é de tresloucado consumo - mas fui espreitar e a Millennium Falcon da Lego e continua a custar setecentos e noventa e nove euros. ora, badamerda.]

uma certa nostalgia

acabadinha de ouvir e pow! vinte e tal anos retrocederam. a memória foi precisa: o primeiro ano na faculdade, com as suas boas loucuras, os amigos que se mantém, a recordação de uma ida a Lisboa para ver um concerto passando por duas directas e acabando numa viagem para a queima de Coimbra, uma noite que não queriamos que acabasse e apanhamos o primeiro autocarro que havia, destino Porto e quando o cansaço nos quebrou, adormecemos num multibanco. tudo certo.

(agora fico tão - mas tão! - satisfeita com uma hora sem nada para fazer numa esplanada ou em frente à lareira - o tempo decide -, e não me mexer mais do que dois metros).

colagem sobre colagem

da fragilidade das camadas — tal qual as cebolas que acabam por me deixar a chorar, alheias aos truques que uso para que isso não aconteça.

colagem original: www.instagram.com/ohdecollage