a propósito de um episódio contado onde os insultos vai-te-foder ou o simples vai-à-merda, foram substituídos pela eloquência. afinal a forma pode ter a sua piada, ainda que o conteúdo ofensivo seja o mesmo :)


ps. da neura

ouvir isto depois de almoço numa segunda-feira que começou com uma noite difícil. a neura? resolvia-a com esta música nos phones, sapatilhas, kispo, óculos de sol e eu na serra. andar até tudo ficar cansado. até a neura.


neura(...)

"Neuroscientists Have Discovered A Song That Reduces Anxiety"
@ https://www.providr.com/a-song-that-reduces-anxiety/2/



li, fui ouvir (partes) e fiquei com neura :/

procuro aligeirar as minhas inseguranças agarrando-me aos planos geométricos, proporcionais e matemáticos. todos os meus trabalhos de design têm uma grelha por trás, nada é feito a olho e os objectos são colocados usando coordenadas precisas ao píxel. por vezes, corro o risco de alterar o conteúdo para não arriscar a forma.

acontece que antes de terminar, e sempre que tenha tempo para tal, olho e sinto a necessidade de desconstruir qualquer coisa. uma letra. um símbolo. um pormenor, que é só pormenor para mim.

o resultado não tem sido mau. há umas semanas tive o Alan Poul a pedir-me cartazes para levar com ele e deixou-me um autografado. há dias tive um convite para participar na apresentação de um livro que estou a paginar (um grande ensaio visual) e falar sobre o meu processo de trabalho nesta lufada de ar fresco que é esta edição, afastada das outras que são mais clássicas e fechadas num modelo. no dia seguinte a esse convite vi o meu trabalho (no geral) a cair no chão, perante críticas duras de que havia muita coisa mal feita, outras que deveriam ser mais rápidas — afinal é só ctrl C > ctrl V — e por aí fora.

"ninguém é consensual" diz-me a pessoa mais consensual que conheço (e admiro). o que é apreciado por uns, é desprezado por outros. entre uma coisa e outra procuro o ponto de equilíbrio. ir às minhas grelhas e transpo-las para a vida como uma rede de segurança. o resultado não tem sido mau, mas não é uau. parece uma dieta de hospital: não faz mal, assegura mais sáude mas não sabe a porra nenhuma.

//

stranger things

limpei a segunda temporada de uma vez. não consegui parar e foram episódios uns atrás dos outros. nisto eram quatro da manhã. acordei no dia seguinte (bem, na realidade, foi no mesmo dia) a sentir como se estivesse de ressaca. o máximo que bebi foi um sumo de laranja do algarve. pdi?





nas últimas semanas foram surgindo conversas com alguns pais e mães sobre as novas rotinas familiares causadas pela entrada dos piquenos na escola primária: horários, tpcs, lanches, o sono deles às seis da tarde. digo que tudo se ajusta com o tempo, optimizamos e habituamo-nos. a experiência adquirida de quem tem também uma piquena maior tornou a entrada da mais piquena para a primeira classe mais simples. muitos observam:  não sei como consegues (mãe all alone com duas crias). sorrio, digo que conseguimos sempre fazer o que é preciso, mas penso: como conseguiria não fazê-lo? não seria possível.






halloween

*
Oh the werewolf, oh the werewolf
Comes stepping along
I have not even broken the branches where he's gone
Once I saw him in the moonlight, when the bats were flying
I saw the werewolf, and the werewolf was crying
Cryin 'nobody knows, nobody knows, body knows
How I loved the man, as I teared off his clothes.
Cryin 'nobody knows, nobody knows my pain
When I see that it's risen; that fool moon again
For the werewolf, for the werewolf has sympathy
For the werewolf, somebody like you and me.
And only he goes to me, man this little flute I play.
All through the night, until the light of day, and we are doomed to play.
For the werewolf, for the werewolf, has sympathy
For the werewolf, somebody like you and me.




sobre um certo foder

1. Os meritíssimos juízes, entre eles uma mulher, citam a Bíblia. Mas citam a Bíblia que lhes dá jeito, ou seja, o Velho Testamento, porque no Novo Testamento há aquela passagem subversiva em que Jesus perdoa a Maria Madalena e diz "quem não tiver pecado que atire a primeira pedra".

2. Nalgumas cabecinhas bafientas ao macho ibérico tudo é permitido. Nalgumas cabecinhas a mulher adúltera é uma puta, o homem um garanhão (o que leva alguém a trair alguém é complexo, a psiquiatria explica que há quem ame e traia e há quem não ame o companheiro ou companheira e não traía, mas isso é outro tema).

Alguns juízes não o deviam ser.

3. Há uns tempos escrevi um texto sobre "a puta". Retomo-o.

Quando um homem (quando alguns homens para ser justa) quer humilhar uma mulher recorre habitualmente a três vocábulos: cabra, vaca e puta.
A lógica por detrás da retórica é simples: trata-se da tentativa de a desvalorizar comparando-a a um animal ou questionando a moral sexual da mesma.
A vida é pródiga em paradoxos, é o que digo habitualmente a estas mulheres, mais irracional que um animal (que nalgumas culturas até são sagrados) é quem necessita de humilhar ou vilipendiar o outro.
Em pleno século XXI alguns homens educados de forma castradora entre as mulheres para “casar” e as mulheres “para foder” (tanta mãezinha culpada pela violência exercida sobre outras mulheres ) consideram que a pior ofensa que se pode fazer a uma mulher é chamá-la de meretriz, reduzindo-lhe o “valor sexual”. A essas mulheres digo que não se trata de uma ofensa, mas de um elogio, pois revela medo. Nada intimida mais um homem ( ou alguns homens ) do que uma mulher bem resolvida e descomplexada (e se for bonita , inteligente e independente então morrem de medo).
Habitualmente os abusos verbais passam também pelo clássico: “vai-te foder”. Recentemente numa troca de mensagens sobre um outro tema um conhecido fez uso do “clássico”. Respondi-lhe, e perdoem o meu francês, ” vou sim com muito gosto, mas será com alguém que não seja impotente como tu”. A conversa e a tentativa de ofensa morreu ali.


(Como eu gostava de encontrar num face a face estes juízes guardiões da moral alheia)

Helena Ferro de Gouveia@FB

"ontem vi um filme bonito

qual?
Wind River. muito branco, frio, fechado, calmo e resiliente.
hum, mas é sobre um crime. vários, até.
também. mas não é o seu ponto central.
devias passar a ver documentários sobre vida selvagem.
não é de isso que se trata?

"